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Dilma e a imprensa internacional

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Há um mistério no ar.

Ele se chama Dilma.

Em qualquer país do mundo, os presidentes da república tem contato frequente com a imprensa internacional.

Em momentos de turbulência política, esses contatos se adensam, porque todos os presidentes precisam difundir a sua versão sobre os fatos, para que a narrativa de oposição não prevaleça mundo a fora.

O Brasil vive uma grave crise política.

Por que Dilma não convoca, hoje mesmo, uma coletiva de imprensa internacional para falar da crise política?

Por que Dilma não usa os instrumentos de que dispõe?

No caso do Brasil, há semelhanças com 1964. Muitos falam – eu, por exemplo – em golpe de Estado.

O The Guardian, o Intercept (com matéria do Glenn Greenwald) e o principal jornal alemão publicaram matérias que, a esta altura, devem ter alarmado uma parte do mundo. Esses jornais denunciaram um golpe midiático no Brasil. E nenhum deles tem qualquer ligação política, ideológica ou de qualquer tipo com o governo ou o PT.

Um golpe no Brasil teria consequências políticas negativas para muitos países. Eles também merecem, por isso mesmo, ser melhor informados, e diretamente pelo Palácio do Planalto, via imprensa internacional.

Não se trata mais de um problema político relacionado apenas à senhora ou ao presidente Lula.

O que está em jogo é a legalidade democrática e as liberdades políticas de todos os brasileiros.

Se enfrentamos violências à democracia no Brasil, conseguiremos apoio dos defensores da democracia em todo o planeta.

Se golpistas incrustados no Estado podem agredir assim a senhora, o ex-presidente, se podem fazer extorsão contra grandes empresários, então nós todos nos sentimos vulneráveis à violência de um Estado autoritário.

O ministro Gilmar Mendes acaba de editar uma espécie de AI-5, cassando os direitos políticos do ministro da Casa Civil, Luis Inácio Lula da Silva.

Em que país, senão em ditaduras, um ministro é cassado por razões puramente políticas?

É um ato arbitrário, que mostra que o golpe já foi dado, em parte.

Do lado da direita, insuflada pela mídia, há desordem e violência.

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, foi xingado e quase linchado na Avenida Paulista.

O secretário de segurança do estado de São Paulo quase foi agredido por manifestantes na mesma avenida.

A mídia brasileira conseguiu insuflar um perigosíssimo espírito de violência e intolerância política no país.

E conseguiu fazer isso através de métodos inescrupulosos de manipulação da opinião pública.

Lula, por outro lado, foi ovacionado ontem por milhões em todo país.

Ontem, milhões de brasileiros foram às ruas pedir democracia.

As atenções do mundo inteiro estão se voltando para o país.

O golpe não se mede mais em dias, ele marcha minuto a minuto.

O vazamento ilegal das conversas entre a senhora e o então ex-presidente Lula representam um atentado ao Estado Democrático de Direito.

A senhora precisa dizer isso ao mundo.

A imprensa internacional, infelizmente,  lê a realidade brasileira pela grande mídia.

Com suas prerrogativas, concedidas pelo voto de 54 milhões de eleitores, a senhora pode denunciar o golpe lá fora, através de uma coletiva para todos os correspondentes internacionais, além de transmissão devidamente traduzida para outras línguas.

Não seria uma boa ideia convocar uma coletiva, Dilma?

Ou então você, Lula? Ladeado por juristas, parlamentares, etc.

Ou vão esperar Sergio Moro consumar o golpe de Estado, prender Lula e derrubar um governo eleito quatro vezes consecutivas pelo voto popular?

Não é possível que, com tudo que está acontecendo, o governo se limite a dar entrevistas à Globo e Folha, justamente os líderes do golpe midiático.

Fonte: OCafezinho.com

 

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